Sinhá arregalou os olhos, espantada.
A manhã era de revelações! Ella cuidára sempre que os laços do matrimonio eram indissoluveis... A grande poesia do casamento parecia-lhe estar na perpetuidade do amor e na perpetuidade do voto. Que era o casamento, então? um contracto quebradiço, sujeito a ser violado logo ao primeiro amúo?
As idéas embaralhavam-se-lhe na cabeça. Ainda na vespera discutira-se á mesa, era sua casa, a lei do divorcio. E o proprio pae affirmára que ella jámais seria decretada no Brazil... Interrogou a respeito a mãe, que respondeu quasi em segredo:
—Elles estão olhando para nós... disfarça... não convem falar nisso agora... A Marianninha já me conheceu... não fosse eu a mulher do ministro... verás como me abraça!
Assim aconteceu.
Pelos fins do almoço a Marianninha atirou o guardanapo para a mesa e arrastando o marido correu a falar á Pedrosa.
—Petronilha! exclamou ella num arranco enternecido.
A Pedrosa levantou-se com um sorriso cerimonioso e um ar de quem não atinava com o nome da outra...
—Não se lembra da Marianninha Serpa! das irmãs? O diabrete azul, como me chamavam?
—Ah! sim!... o diabrete azul... lembro-me!... Desculpe-me... mas estava tão longe!...