—Pare no n.° 273, disse a Pedrosa ao João, ao entrar no carro.
—Na casa do dr. Argemiro? Para que, mamãe? Eu não entro!
—É só por curiosidade... a esta hora elle não está em casa... deixo-lhe um cartão e a caixa dos pecegos... dir-lhe-ei depois que ia passar-lhe tambem um bilhete de caridade...
—Mamãe, os pecegos são meus!
—Não sejas gulosa. Aquillo fez-se só para presentes. E, afinal, para quem quero eu o Argemiro? Les petits cadeaux entretiennent l'amitié, dizem os francezes. Elle irá agradecer-m'os a casa e tu o receberás...
—Mamãe!
—A mamãe só quer a tua felicidade, descança!
Quando o carro parou, a Pedrosa desceu e ordenou á filha que a acompanhasse. Sinhá hesitou antes de obedecer.
O vestibulo da casa de Argemiro, resguardado da rua por um largo paravento de vidros lavrados, tinha uma porta lateral abrindo sobre o jardim e outra ao fundo, dando para uma saleta de espera. A Pedrosa dirigiu-se com a filha para a porta do fundo e ia tocar a campainha quando ouviu uma voz de mulher dando uma ordem. Depois, a porta abriu-se e a figura de Alice appareceu entre os humbraes.
A Pedrosa arregalou os olhos, espantada: