Caldas contemplava-o espantadissimo, repetindo:
—Sério? Sério?!
—Já te dei a minha palavra de honra! Que mais queres?
—Não quero mais nada, filho, estou enthusiasmado! Basta-me o espanto, que é dos maiores que tenho tido em minha vida. É adoravel.
Gloria, já risonha, veio puxal-os para a mesa, que o avô enfeitara toda de margaridas brancas. Dr. Telles discutia politica com o barão. A baroneza, affastando-se do padre, com quem conversava, designou o logar a cada um dos convivas e sentou-se á cabeceira.
[XI]
A casa do dr. Pedrosa era uma das mais antigas da rua do Senador Vergueiro. Á sua fachada, de velho estylo portuguez, a vaidade do dono mandara addicionar uma cimalha, que encobria as telhas aldeãs com os seus floreados medalhões de estuque e dois torreões lateraes, ligados ao corpo central por passadiços envidraçados, de caixilhos miudos. Dentro de um vasto jardim, fechado por gradil prateado, essa residencia ficava meio encoberta da rua por dois misericordiosos tamarineiros, altos e frondosissimos.
Num dos torreões fazia o senhor ministro o seu gabinete de trabalho. O outro, todo esteirado e guarnecido de kakimonos, era chamado em casa o «pavilhão japonez», e destinado a Sinhá, que ahi recebia as amigas e pintava as suas timidas aquarellas.
Era noite de recepção e a Pedrosa embarafustou pelo quarto da filha.
—Estás prompta?