—Se é séria, manda-a embora, porque a comprometes; se não é... não deves ter escrupulos em fazel-a passar como tal!
—E minha filha? Lembra-te que tenho uma mulher em casa, não tanto pela boa ordem de minha vida como para poder recebel-a e guardal-a de vez emquando commigo... E depois, sabes que mais?! pouco me importo com a opinião dos outros! Deita fora o charuto. Vou despedir-me lá dentro. Estou enojado. Lá te espero quarta-feira. Não te esqueças...
—Ó egoista! lá irei com um baralho novo!
Argemiro entrou na sala a tempo de applaudir a Sinhá, que acabava de tocar uma rêverie ao piano. Vendo-o, a Pedrosa foi ao seu encontro:
—Pensei que fosse hoje todo do meu marido! Chego a ter ciumes da politica, acredite!
Elle sorriu.
—Foi pena que não tivesse ouvido Sinhá desde o principio... ella toca com muito sentimento... anime-a... diga-lhe, embora mentindo... que a apreciou... as suas palavras são o melhor incentivo para ella...
A Pedrosa procurou a filha com a vista, para approximal-a de Argemiro, mas já a moça desapparecera da sala.
Argemiro percebeu-lhe a contrariedade no olhar e apressou-se em dizer meia duzia de banalidades, á espera do momento de se despedir. Mas a Pedrosa tinha que dividir a sua attenção. Estava com a casa cheia, e as moças mostravam desejos de dançar...
Por fortuna, as sobrinhas, as tres filhas do dr. Adão, ajudavam-n'a a armar as quadras para os lanceiros, tirando pares e influindo os moços, que se deixavam arrastar, por complacencia, para o meio da casa...