—Nesse caso dir-te-ei ainda que o Argemiro é senhor do seu nariz e que nós não temos autoridade, absolutamente, para mettermos o bedelho na sua vida. Fará o que muito bem quizer. De mais, que jurou elle a Maria? Não se tornar a casar. Casou? Não. Logo...

—Mas vive como tal...

—Sabes que mais?! Deixa-me trabalhar... lamento-te muito, mas não posso argumentar comtigo. 325... parece-me que era este o numero...

—Como és frio...

—Sou velho; e tenho juizo.

—Tambem eu sou velha...

—Mas és mulher, e vives mais do sentimento que da razão... Alimentas a idéa de que tua filha sente, soffre, existe, e exiges que ella occupe um lugar que infelizmente está bem vasio... Deleitas-te em revolver saudades; fixas-te em pensamentos de que devêras fugir; a morte assusta-te; a idéa do nada apavora-te e crêas então um mundo á parte para tua filha, que, se continúa a viver, é só no teu cerebro, mais ainda do que no teu coração! Reage contra essa tortura...

—É a minha consolação...

—É o teu desespero!

—Não é... talvez deva ser como dizes... mas eu agarro-me a esta illusão, para poder supportar a saudade...