—Não chores...

—Sinto-me tão sózinha!

—E eu?

—Fugiste-me...

—Não, minha velha, estou e estarei comtigo até á morte. O que te fiz soffrer na mocidade, quero redimir na velhice... Tua mãe, sim, teria razão de queixa contra mim; tu não a tens contra o Argemiro! Nossa filha, repara o que eu digo—nossa filha—gosou emquanto viveu; já foi uma felicidade! Tu esperaste por mim algumas vezes até alta noite... lembra-te! Ella nunca esperou... Fiz-te chorar, do que me arrependo; o Argemiro só a fez sorrir.. Foi por causa do teu ciume de esposa, muito justificado, que escolheste este ermo para viver... Sujeitei-me. Venceste. Hoje, arrependido, vivo cosido ao agasalho das tuas saias e acredita que, se morreres antes de mim... creio que me fecharei vivo no teu caixão...

O Barão dizia estas coisas rindo, mas com os olhos afogados em pranto; a mulher, chorando francamente, approximou-se e uniu os seus labios tremulos aos labios murchos do marido.

—Vai descançar! disse-lhe elle, afagando-a.

Ella sahiu; elle limpou os olhos, esteve algum tempo a pensar em coisas distantes; depois, com um suspiro, voltou ao seu catalogo:

—325...

Os dias passavam lentamente para os dois velhos.