Houve uma pausa. Argemiro consultou o relogio. Era tarde. O diabo da mulher não serviria?!

—Que edade tem?

—Vinte e cinco annos...

—É saudavel? A saude é tambem uma das condições que eu exijo.

—Sou.

—Pois, minha senhora, infelizmente tenho o tempo contado e não posso demorar-me. Vou procurar em poucas palavras fazer-me bem entendido; pesso-lhe que me escute com a maior attenção e que me responda com absoluta franqueza.

Como lhe disse, quero uma governante para minha casa, que seja ao mesmo tempo uma companheira para minha filha nos dias em que ella vier vêr-me. Para isso é preciso que essa governante seja uma senhora séria, sobretudo educada, não digo instruida, mas que emfim não seja analphabeta e que tenha habitos de asseio, de ordem e de economia. É absolutamente preciso pôr um dique á impetuosidade das minhas despezas domesticas. Eu não posso tratar d'isso. A senhora dirigirá tudo, com energia, de modo a regularisar as coisas definitivamente. Para isso lhe darei toda a força moral. Ha uma clausula, que talvez lhe pareça absurda, mas é indispensavel na nossa situação, caso a senhora acceite as condições que estipulo...

Elle parou, com ar interrogativo.

Ella respondeu com um fio de voz tremula:

—Perfeitamente...