—É esta: não nos vermos senão quando isso fôr absolutamente indispensavel, ou melhor, não nos vermos nunca! A razão d'esta exquisitice, ou d'esta mania, não póde ser explicada por inteiro em poucas palavras; supponha, porém, que repouza só nisto: não querer eu que paire sobre quem deve velar por minha filha nem a sombra de uma suspeita! A minha casa é grande, tem dois pavimentos e eu passo o dia na cidade, só vindo jantar á noite. Na minha ausencia toda a casa será sua; desde que eu entre a senhora saberá e poderá evitar-me. Acha isso possivel?
—Acho...
—Concorda em que seja assim?
—Concordo.
—Pense na responsabilidade que vae assumir.
—Já pensei...
—Eu sou exigente. Quero sentir na minha casa a influencia de uma pessoa moça, saudavel e ordenada. Não quero vêr essa pessoa, por motivos que expuz e por outros particulares e que não vêem ao caso, como tambem já disse. Aviso-a de que sou commodista. A senhora julga-se com os predicados que apontei?
—Julgo-me.
—Tanto melhor; parece-me que nos entenderemos. Todavia, desejaria, repito, que a senhora me desse algumas informações a seu respeito. Como se chama?
—Alice Galba.