A neta, percebendo tudo, cahia-lhe aos beijos nas faces e nos cabellos, rindo, apertando-a nos braços vigorosos.
—Vovósinha do meu coração! Como eu amo esta avó! Como eu adoro esta avó!
Então sentava-se e contava as historias lá de fóra:
O vovô ainda não percebera que as formigas estavam-lhe dando no pé de absintho... A mangueira grande do pasto estava com herva de passarinho. Ella já avisára o João... A gallinha pedrez apparecêra com dez pintinhos nascidos no matto e havia um ninho de pintasilgos na limeira da horta...
A avó sorria, ella incitava-a a sahir com ella pela avenida das mangueiras, até lá abaixo ao portão, para ver uma paineira da estrada toda coberta de flôres! Completamente rosada!
A avó, puxada pela neta, arrastava os passos pesados pela aléa deserta e só nesses curtos momentos o seu pensamento tinha repouso.
Segurando na mãozinha da neta, dizia comsigo:
—Deixa-me aproveitar bem a companhia d'ella, antes que ma levem!
Mas lá chegava o sabbado, em que a levavam, ou o avô, ou o padre Assumpção, que ia ás vezes cedo almoçar com os amigos e buscar a pequena. Sem ser annunciado, elle, bom andarilho, vinha a pé desde a estação, uns bons dois kilometros, até á chacara.
Quando ás vezes o percebiam, elle já estava dando os bons dias na sala da entrada; outras occasiões os olhos anciosos de Gloria descortinavam-lhe ao longe a batina negra, destacando-se no fundo luminoso do portão aberto.