—Nunca... já agora, não quero! Tem paciencia, meu velho, fala-lhe tu... és tão bom, tens-te interessado tanto pela minha vida, que não sei já dar um passo sem ti... e quando o dou não sou feliz.

Estou a falar-te e a reparar numa coisa: vocês nunca alludem ao nome da minha governante sem o acompanharem do dom... vejo que ella inspira respeito a toda a gente... deve effectivamente ser uma mulher fina e educada... D. Alice!... pois a D. Alice vae soffrer vexames.

—Não sejas tolo.

—Verás.

—Espera-me hoje para o jantar. Conversarei depois com a... D. Alice. Ella é cordata e conhece o seu logar. Dás-lhe demasiada importancia. Afinal, ella é uma empregada... uma subalterna. Não exaggeres os melindres e tranquillisa-te. Que mais ordena meu principe ao seu mordomo?

—Que me abrace e me perdôe.

Assumpção sentiu no abraço do amigo uma ternura intensa.

Ama-a... pensou elle comsigo tristemente. Elle ainda o não sabe... mas a verdade é que ella já lá está dentro...

[XV]

Intoleravel, o Feliciano, ao servir nessa tarde á mesa. Sem pronunciar uma unica palavra e mais impertigado ainda que de costume nuns collarinhos que lhe roçavam as orelhas, percebia-se que no seu mutismo e seriedade elle suffocava de contentamento. Quando o olhar de Argemiro o lobrigava espigado aos cantos, esperando ordens, desviava-se com uma impressão exquisita e que não podia definir. Durante todo o jantar desgostou-o a figura limpa e correcta do negro, approximando-so e afastando-se maciamente, conforme as exigencias do serviço.