—Nada...
Argemiro tivera um pequeno sobresalto involuntario, vendo a mão negra do Feliciano pegar na porcellana côr de leite do seu prato.
—Nunca te aconteceu, ao ter qualquer impressão, sentir mau ou bom gosto na boca?
—Nunca, respondeu o padre.
—Pois agora foi como se eu tivesse tomado uma colher de sumo de limão!
O olhar de Argemiro acompanhou o vulto do negro, que se dirigia para a copa. Assumpção argumentou:
—Está nas tuas mãos o remedio.
—Despedil-o?
—Pois então?
—Acabo por fazer isso mesmo. Realmente não ha nada como a ignorancia para certa gente. Meu sogro fez de um moleque humilde, um homem ruim... Se em vez de o mandar para a escola, com bolsa a tiracolo e sapatinhos de botões, o deixassem na modestia da cozinha ou da estrebaria, elle não teria agora nem a revolta da sua côr nem a da sua posição... O que o torna mau é a inveja e a sua ignorancia mal desbastada.