—Elle não é tão mau assim!

—Defende-o agora!

O Feliciano voltou com a sobremesa, um doce novo, desconhecido de ambos e que o copeiro não teve remedio senão confessar ter sido preparado por D. Alice, receoso de que ella o ouvisse por detrás das portas.

—Depois do café, ao entrarem os dois sózinhos para a bibliotheca, Argemiro notou:

—Foi o meu ultimo dia de bem-estar. Reparaste? nada faltou. É uma alegria, uma casa assim! E rara, eu sei, nas minhas condições, rarissima! Perfeita, a minha governante! se tem defeitos, nunca os deixa transparecer... nem é possivel que os tenha...

—Estás doido! Ella é uma mulher como muitas; sómente cuidadosa de não perder um emprego bem remunerado; mais nada.

—A esta accusas!

—Não. Esclareço-te. Jogaste uma cartada, foste feliz, dá-te por bem pago por estes largos mezes de tranquillidade. Suppondo que tua sogra se incompatibilise com a D. Alice, acharás depois outra governante nas mesmas condições. Esta é tão perfeita como será a outra, desde que tenhas com ella as mesmas exigencias que tiveste com esta...

—Pensas então que seja só movida pelo interesse pecuniario que ella tão bem se desempenha de tudo?

—Penso... que isso concorrerá!