—Não... não! Tens algum desgosto comtigo!
—Não tenho nada. Eu sou feliz...
—Elle mente-me! gemia sempre a mãe, por dentro, com os olhos extaticos no semblante impassivel do filho.
Elle tornava-se de pedra e era em vão que ella se debatia á espera de um milagre que nunca se realizou.
Teve que ceder, mas sem resignação.
O que lhe valia agora era a pobreza. Começou a repartir as suas migalhas com os vizinhos necessitados. Toda a sua actividade empregava-a a bem dos outros. Chamou para casa duas crianças orphãs e entretinha-se a ensinal-as e a vestil-as.
—Quando eu morrer, dizia ella ao padre, tu olharás por elles como se fossem teus filhos!
Forçava-o assim á paternidade; obrigando-o a amal-as, empurrando-as para os seus joelhos, contando-lhe as suas gracinhas, fazendo-o adorado por ellas.
Até já achava nas crianças traços da familia!
Assumpção deixava-se assaltar e abria os braços aos pequenos; mas a sua predilecção não estava alli. A proposito de tudo falava em Gloria. Era a sua preoccupação. Uma selvagem!