—Numa lição só não se póde aprender muito! Assim mesmo eu percebo bem D. Alice, exactamente porque ella não ensina,—conversa. Falou das abelhas... falou das mariposas, disse historias que eu não sabia e de que gostei... Prometteu levar-me á Tijuca para vêr borboletas azues muito grandes, que ha lá... Mas vovó... creio que não me deixará ir só com ella... Se o senhor fosse!
—Irei.
Gloria bateu as palmas com alegria, mas de repente tornou-se séria, olhando para uma roseira completamente coberta de flôres.
—Queres um ramo?
—Não. A ultima vez que fomos ao cemiterio encontrámos uma porção d'aquellas rosas no tumulo da mamãe... Foi o senhor! E vovó pensou que tivesse sido papae!...
—Foi teu pae... levou-as d'aqui,... mas não lhe digas nada, que elle não gosta que se fale nisso! Olha para o mar!
—O seu jardim é muito pequenino!
—Basta para mim... olha este rainunculo...
Emquanto Assumpção fazia Gloria vêr as suas flôres, D. Sophia conversava com Alice. Mandara subir os pequenitos. A moça puzera um nos joelhos e annelava os cabellos do outro carinhosamente.
Que se dizia? Menos do que se adivinhava. A sympathia nascera logo entre ambas. Assumpção pousou por um instante os olhos nellas e desviou-os para além, para o infinito... Tinha sido aquelle o sonho da mãe: uma mulher moça a seu lado, cercada de crianças lindas...