A tarde morria afogada em azul. Já no ceu brilhava a meia lua, e uma neblina prateada vinha da barra, cobrindo o mar.

—É tarde, Gloria...

—Adeus!

Nessa noite, ao chá, D. Sophia disse ao filho:

—Aconselha Argemiro a casar-se com aquella moça. Ella fará a sua felicidade.

E depois, baixo e num suspiro:

—Já que não póde fazer a tua.

[XVII]

A praia de Botafogo regorgitava: era dia de regatas. Por todo o cáes o povo apinhado olhava para o mar, coalhado de barcas, palpitante de luz. Nas archibancadas, á beira d'agua, as toilettes claras das moças despertavam a idéa de grandes flôres variegadas, desabrochadas ao sol, e, na rua, carros e bonds arrastavam-se cheios, vagarosos, por entre a multidão. Mas a belleza era o mar, cuja superficie apenas enrugada e de um azul violento, toda se paletava de escaminhas de ouro. Andavam pelo terceiro pareo. Baleeiras velozes, bem remadas, demandavam as balisas na ancia da victoria; outras, em repouso, deixavam-se balouçar pela agua, mollemente, emquanto lá no alto as gaivotas espalmavam as azas, tranquillamente.

—Bellos rapazes! observou Adolpho Caldas, olhando com enthusiasmo para a tripulação das baleeiras.