Alice não respondeu, fixando os olhos no rosto transtornado da baroneza. E depois, com raiva subjugada:
—E se eu não quizer?...
—Sahirá á força. De mais a mais, é cynica!
—Sou honesta. Estou de guarda a um logar que me confiaram e que deffenderei até á morte. Seu genro chega ámanhã. Partirei depois d'elle ter entrado nesta casa. Antes, não! não, não e não!
—Ah, a amaldiçoada! Imagina talvez que Argemiro a prefira a mim! Exclamou a baroneza com uma gargalhada insultuosa.
Alice mordeu os beiços para não responder: todo o corpo lhe tremia, como num accesso de febre.
Gloria corrêra para o quintal. E era como se a casa se desmoronasse sobre a sua cabeça. Que razão teria a avó para querer tanto mal á D. Alice? Que iria succeder?! A quem gritar por socorro?
A voz da baroneza perseguia-a. Sentia nos hombros o peso das suas mãos irritadas. Quem lhe diria!... A loucura?! Seria a loucura?! Deveria chorar pela avó, pela sua razão perdida, ou salvar a moça, que ficara sózinha em sua frente? mas salvar como, se ella tinha medo? Gloria atirou-se chorando para o jardim, na ancia da liberdade e do silencio. O avô ao vêl-a comprehendeu tudo e correu a amparal-a.
—Que tens, meu amor?!
Animada pela presença do velho, a menina agarrou-o com força.