—Venha, vovô... corra... vovó é injusta... é má... está dizendo coisas terriveis á D. Alice... não sei o que é... Vovó me bateu!... pelo amor de Deus... ande depressa!

O avô resistia; mas, ao ouvir-lhe as palavras—vovó me bateu—endireitou-se num espanto e olhou de perto para os olhos da neta.

Não! ella não mentia. Os alegres olhos da sua Maria da Gloria estavam cheios de lagrimas, em que boiavam uma grande decepção e uma terrivel dôr.

—Ah, se papae estivesse aqui!

O barão apressou-se, agarrado á neta; mas ao approximar-se do quarto estacou. Não devia entrar. Não queria entrar. Em vão a neta o impellia, supplicando-lhe que interviesse.

Elle sabia. A mulher não cederia por nada d'esta vida. O mal estava feito; para que recomeçal-o?

Não conseguindo abalar o avô, Gloria avançava sózinha para o quarto, affrontando tudo, quando a baroneza sahiu, hirta, com os labios afinados e pallidos, os olhos circulados de rôxo. A menina recuou espantada. Nunca a avó lhe parecera tão alta.

—Que estás fazendo aqui? Eu não te disse que não tomasses a pôr os pés neste quarto?!—Rugiu ella ao topar com a menina.

—Vovó...

Mas a avó não quiz ouvil-a, e agarrando-a por um braço foi-a levando, numa furia.