—Tiveste então cartas de todos!...
Sahiam da Central. Argemiro acenou para um carro.
—De todos... mas incompletas... Só tu me poderias dizer tudo; és intimo de minha casa, mais intimo do que eu! Comprehendes que eu fugi!
—Porque, homem?!
—Nem sei porque... medo do barulho, da intriga... de não poder conter o meu máo humor. Estava enervado, aborrecido... Depois arrependi-me. Não tinha que fazer; bocejava pelas ruas... o hotel indispunha-me commigo mesmo. Estou como o caracol,—não posso sahir da minha casa sem perder a vida... Acredita: até do cheiro da minha casa eu tinha saudades! Parece-me incrivel que um sujeito de vida bem organizada goste de viajar. Tu nunca viajaste. É uma maçada! Mas que diabo, tu não me dizes nada!
—Não me dás tempo...
—Tens razão; mas estou cheio até á raiz dos cabellos. Mal conversei durante a viagem; estava com a lingua entorpecida. Este cocheiro é um lorpa... não toca os animaes! De que te ris?! estou morto por beijar minha filha! Muito crescida? Tens ido lá todos os dias? Tens estado sempre com todos?...
—Todos os dias, não... mas quando vou estou com todos...
—Minha sogra ainda se demorará cá por baixo?... Isso é o que me interessa mais saber.
—Ignoro... Eu tenho frequentado menos a tua casa, receando que os barões achassem importuna a minha assiduidade...