—Estás doido! Sabes que te estimam muito! Bem... e... não houve por lá nenhuma questão...

—Tem paciencia, escuta.

—Mau!

—Hontem á noite recebi uma carta de teu sogro, pedindo-me para vir esperar-te hoje á Central, e prevenir-te de que a D. Alice só espera por ti para deixar a casa.

Argemiro não respondeu logo, e, arregalando os olhos, voltou-se para o amigo, muito desapontado.

—A noticia não é amavel e acredita, Argemiro, que a dou com pena. Mas já agora deixa-me dizer-te que mais uma vez andaste impensadamente... Não deverias ter sahido de casa nesta occasião, tanto mais que já temias qualquer incidente desagradavel...

—Não consinto! Ah, eu é que não consinto; e o dono da casa sou eu! Porque sae a D. Alice? Não sabes?... Eu imagino: picuinhas... alfinetadas... tanto a aborreceram, tanto a azedaram, tanto a mordiscaram, que ella não pôde mais! Era o que eu temia, lá longe! Parece que estava adivinhando. Um inferno.

Ora o que me esperava! E agora? Dize-me: e agora?!

—Arranja-se outra...

—Estás tolo! Outra! A facilidade com que se dizem asneiras... Nem tu pensas no que estás dizendo. Conheço-te bem; sei qual é a tua opinião a respeito d'ella... Eu é que fui um asno, um idiota; não devia ter consentido na vinda de minha sogra para casa. Foi ella que escangalhou a minha felicidade com as suas bobagens de velha tonta. Disseste bem, fiz mal em fugir. Fugi por pusilanimidade... pelo eterno prazer do socego e do bem-estar. Fresco bem-estar, o dos hoteis! E agora, hein?! arranja-se outra! ora, que resposta! Se ha outra como aquella!