—Tu nem a conheces...
—Nunca a vi, mas conheço-a, adivinhei-a; abstrae da personalidade. Ella é o meu conforto, a minha segurança, a minha felicidade. Agora explica-me tudo: que lhe fizeram?
—Não sei, filho; mas creio que nada.
Teu sogro, temendo a tua decepção, como se se tratasse de uma terrivel catastrophe, escreveu-me hontem o que eu já te disse. A minha surpreza foi quasi do tamanho da tua. Sómente, eu espero conciliar as coisas.
—Ah, eu não... Acabou-se. Volto á ignominia do Feliciano. Não. O Feliciano roda hoje mesmo a pontapés. Cachorro... Outra... outra... onde encontral-a? Pensas que ha muitas mulheres assim, por ahi, á espera das minhas ordens? Tu estás bem convencido do contrario...
Eu sei que a consideras muito... Já a tens defendido, á minha vista, quando a accusam. Por mim, declaro-te que acabei de conhecel-a nesta ausencia...
Por acaso, no dia da partida, juntei alguns livros avulsos pelas mesas e metti-os na mala. Em uma das minhas noites de insomnia, no hotel, abri um d'esses livros, e verifiquei com espanto que elle pertencia a D. Alice. Lá estava o seu nome, por signal com uma letra bem bonita... Era um livro inglez de poesias. A minha governante lê versos; e demais a mais em inglez! Folheei o livro com alguma curiosidade...
Havia versos sublinhados, notas feitas á margem... Sabes que do meu exame de inglez não me ficou patavina... o livro não me poderia divertir; entretanto, não sei por que, era o unico que me interessava! Comprei um diccionario e pude mais ou menos penetrar um pouco no mysterio... Comprehendes que isto não poderia deixar de impressionar-me...
—Ella é intelligente...
—Muito. Para ter certeza d'isso eu não precisava das poesias inglezas; bastava-me a mudança radical de minha filha. Negarás isso?!