—Não...

—Lembras-te? Gloria era terrivel, intratavel, brutinha! E agora? Está docil, risonha, delicada. A avó perdia-a com os seus mimos e a D. Alice salvou-a. Tens reparado na bôa pronuncia franceza de minha filha?

Na vespera da minha partida ella leu-me uns exercicios do methodo. Fiquei espantado. Um prodigio!... Logo, esta mulher que ensina francez, lê versos inglezes, faz aguarellas razoaveis e interpreta ao piano trechos classicos, como já eu ouvi, sem que ella o percebesse... é uma rapariga de fina educação e que não me resigno a perder por caprichos de terceiros! As minhas flôres! Porventura tive eu nunca, nem mesmo no tempo de Maria, rosas como tenho agora?!

É ou não é verdade que o meu jardim é um dos mais bellos do bairro?!

—É...

—E quem o transformou? Ella.

Ainda agora, lendo o livro do Shelley, sentindo-lhe o perfume peculiar e que em poucos dias ella espalhou por toda a minha casa, capacitei-me de que a alma d'essa mulher é rara e voltada para tudo que torna a vida agradavel. Ainda não lhe descobri defeitos...

—Ha de tel-os.

—É humana... e portanto, queres dizer que se fosse perfeita seria defeituosa... Talvez seja feia... Sabia-me agora bem o imaginal-a.

—Occupavas-te nisso?