—Ora, ora! tambem você!

—Eu, mais do que ninguem, posso affirmal-o. Como sabe, Argemiro pediu-me que tomasse informações da governante, logo que se decidiu a confiar-lhe a filha... A mim bastava-me vêl-a e ouvil-a para perceber que a nossa Gloria estava bem entregue... mas a missão era tão delicada, que insisti em leval-a até o fim, mais com o proposito de defender a pobre moça d'estes ataques, previstos, do que por desconfiar d'ella. O acaso ajudou-me.

Um amigo de meu pae, o coronel Barredo, que tem a especialidade de saber a chronica de meio mundo, veio ao meu encontro, e por me ter visto a conversar com ella, desandou a fallar a seu respeito, poupando-me o trabalho de uma inquirição, para que me faltava o geito...

—Isso seria vago...

—Era positivo. O Barredo estava ao facto de tudo, conhecia até a fórmula do contracto entre Argemiro e D. Alice! Ha d'esses homens extraordinarios, cujas vistas perfuram paredes e desvendam mysterios... Ainda nós não sabemos do que se passa em nosso interior e já elles estão senhores do nosso segredo!

—As informações que elle deu foram então...

—Magnificas. Terei occasião de repetil-as agora deante da Sr.a baroneza.

—Pelo amor de Deus, não tente uma reconciliação! Seria recomeçar!

—Não se tractará senão de uma reparação. Mas sempre os conheci justos e amigos de fazer bem.

—Caridade bem entendida por nós mesmos é começada...