—Não se falla agora de caridade, mas de justiça!

—Dir-se-ia discutir-se a sahida de um ministro de Estado!...

—Esta é mais sensivel e merece maior ponderação.

—Emfim, o que está feito está feito. Parece-me que não vou agora pedir á menina que fique, pelo amor de Deus! Eu fiz muito dirigindo-me a ella e pedindo-lhe desculpa pela fórma por que minha mulher a despediu...

—Ah! e ella o que disse?

—Gaguejou umas coisas, fez-se vermelha, eu creio que o estava tambem, e voltei para o meu quarto mandando ao diabo as mulheres! Ah! Assumpção, estou morto pelas minhas mangueiras e o socego da minha casa. Passou-me a edade das fantasias, mas não me posso cohibir de lamentar minha mulher.

Ella está doente, levanta-se de noite, não dorme sem o retrato de Maria em baixo do travesseiro... É o seu fanatismo. A sua religião! O amor de mãe desvaira-a... Que soffrimento!

A mim, já me quer mal por eu defender o Argemiro, quando allude á probabilidade de outros amores!

Veja só...

Assumpção não respondeu; olhava machinalmente para o jardim bem relvado, fresco das regas e illuminado pelo fulgor dos ibiscos vermelhos e os cachos rôxos das viuvinhas. Aqui e alli, roseiras de qualidade vergavam as hastes molles ao peso de grandes rosas perfumadas. Em baixo da janella, num heliothropo florido, palpitavam borboletinhas brancas...