—Quer você dizer com isso que romperá tal juramento...?!
—Sem escrupulo, já disse.
—A religião prohibe-o que o faça!
—Eu não sou religioso.
—Ah! vêem?! elle tambem a ama! Minha pobre filha! Minha pobre filha!
A baroneza estava tremula, ameaçadora. Crescera de estatura, passavam-lhe pelos olhos fulgores de mocidade e de odio.
—Se a religião não lhe impõe o cumprimento do dever, appello ao menos para a sua honra.
Não a terá tambem?!
—A minha honra obriga-me antes a defender essa pobre moça calumniada, do que a manter um voto que já produziu o seu effeito e de que nesta hora me liberto.
A baroneza recuara espavorida, com olhos de assombro. O marido sumia-se, encolhendo-se todo para dentro de si mesmo. A velha voltou-se afflicta para Assumpção, como a pedir soccorro. Seria possivel que elle, padre, testemunha de tudo, não viesse em seu auxilio?!