A chacara do barão ficava a um kilometro da estação. O carrinho partiu ao galope de um cavallo ligeiro, e dez minutos depois transpunha o largo portão da chacara, seguindo até á porta da habitação, por uma extensa rua de mangueiras bellissimas.

—Como isto repousa a gente! exclamou Caldas, aspirando com força o aroma da flôr de fructa e pascendo o olhar pela frescura d'aquellas sombras.

—O Paraiso... murmurou Argemiro, esticando o pescoço, a vêr se via, ainda que de longe, a filha.

Antes que o carro chegasse á casa, Maria da Gloria atravessou aos gritos um grande relvado lateral da rua e irrompendo d'entre as mangueiras atirou-se para o carro alegremente:

—Papae! papae!

O cocheiro mal teve tempo de diminuir a marcha do animal e ella trepou para o estribo, enfiando no carro a cara afogueada e risonha. O pae segurou-a, puxando-a para dentro, sem coragem de ralhar com ella por aquella imprudencia. Tentou falar, ella cobriu-lhe as barbas e a bocca de beijos.

—Que exhuberancia! exclamou Caldas, rindo.

Chegavam á porta do velho palacete dos barões do Cerro Alegre.

No patamar da escada, o sogro de Argemiro, barbeado de fresco, com o seu corpo franzino dentro de brins bem alvejados e o boné de seda preta seguro na mão fina e nervosa, sorria á espera dos hospedes, a quem abraçou.

—Mamãe?