—Espera-os na sala do meio. Entrem.

Argemiro aprendera com a mulher a chamar a baroneza de mamãe; percebendo agora quanto aquelle titulo commovia o coração da velha, continuava a dispensal-o de bom grado. Era como se a alma da morta lhe passasse pelos labios todas as vezes que dizia essas duas syllabas amadas.

A baroneza era uma senhora gorda, alta, de lindos olhos negros e cabellos completamente brancos.

Tinha as faces flacidas, a carne do pescoço descahida, a boca larga, a testa curta e ainda roubada pela espessura das sobrancelhas escuras. Cosia sentada em uma cadeira de balanço, ao lado de uma mesa redonda, coberta de um panno escuro e onde floria em um vaso um ramo de crysantemos pallidos.

—Bemvindos sejais! exclamou ella com a sua voz forte, de contralto.

Argemiro beijou-lhe a mão e sentou-se a seu lado. Caldas entreteve-se a conversar como barão, que, pedida a vénia, cobrira com o boné de seda os seus cabellos brancos e encaracolados.

—Então, meu filho, como acha sua filha?

—Forte... muito alta!

—Cresce de dia para dia! Se não vivesse no campo, com esta liberdade, não sei que seria... Precisa ralhar com ella: está muito voluntariosa...

—Tem a quem sahir...