—Porque?!

—Não é conveniente...

—Pois já lá está. Entrou esta manhã.

—Poderá sahir esta noite...

—Não. Eu já esperava esta tempestade, e pela millesima vez direi isto: Eu não podia dispensar em casa uma pessoa que soubesse dirigir os meus criados, coisa de que eu sou incapaz. Reparem bem para o Feliciano: veste-se no meu guarda-roupa, fuma os meus charutos, folhéa as minhas revistas e serve-se da minha carteira muito melhor do que eu! Os outros, por seu lado, roubam como pódem e trazem o serviço mal acabado, feito por favor... Além disso, eu quero ter minha filha á minha mesa, uma vez por semana, ao menos, e não podia deixal-a só, entregue a homens, e que homens! Concordem que não é exigir muito!

—Pois sim! Fizesse tudo isso, mas arranjasse governante respeitavel, mulher edosa e com bons certificados... Conheço o seu caracter, sei que não poria nunca minha neta em contacto com uma... Ahi tremeu o queixo á baroneza e ella concluiu suffocadamente:

—Pobre da minha filha!

Houve um silencio constrangido. O barão interrompeu-o:

—Bom, bom! Está tudo determinado: aos sabbados Gloria irá visitar o pae. É muito justo...

—A moça é bonita, papae? perguntou Gloria.