—Uma governante!... quem a inculcou? perguntou ella, mal disfarçando a sua má impressão.
—Ninguem; respondeu o genro placidamente; arranjei-a por annuncio.
A baroneza pulou na cadeira.
—Por annuncio! metteu em sua casa, na casa da milha filha, uma mulher por annuncio! E quer confiar-lhe a sua filha durante as horas em que ella estiver na cidade? Oh! meu amigo, isto não parece seu!
—Que queria, mamãe, que eu fizesse! Quantas e quantas vezes lhe pedi que me ajudasse a arranjar uma preceptora para Maria e que fôsse ao mesmo tempo governante da minha casa, e a senhora não se quiz nunca dar a esse trabalho... afinal eu não lhe roubo a neta. Maria da Gloria irá só aos sabbados. É justo que eu tambem gose um pouco da companhia de minha filha. Voltará no proprio sabbado, ou no domingo pela manhã...
—Era só o que faltava... Gloria dormir fóra de casa, entregue a uma mulher sahida Deus sabe de onde! Uma mulher de annuncio! Uma... A baroneza conteve-se; e depois de uma pausa, em que bateu com o garfo na mesa:—é velha, ao menos, essa creatura?
—É moça...
—Hein!?
—Tem vinte e poucos annos.
—Não é possivel, Argemiro, ter essa mulher em casa!