—Gloria casará bem, com um homem que a ame e a respeite. Não faltava mais nada! minha neta mal casada! pobre... desprezada... precisando trabalhar para viver... que coisa horrivel!
—O que é horrivel, mamãe, não é trabalhar; é não saber trabalhar!
—Ora... a necessidade é o melhor mestre; se algum dia... oh! não! nem pensar nisso!... A minha Gloria nasceu para ser amada. Eu leio naquelles olhos esse destino... É um pouco brusca... é um tanto auctoritaria... ora adeus! os homens gostam d'isso.
Riram-se e o riso abafou um suspiro em que o Argemiro murmurou:
—Eu queria-a mais meiga...
—Vovó! o jantar está na mesa! gritou Gloriazinha do corredor, fallando com a bocca cheia.
—Já ella me foi ás nozes... não tenho remedio senão concordar que ella é um diabinho e que é assim que eu a amo!
Foi só á sobremesa que Argemiro declarou ter tomado uma governante para casa, e querer d'ahi em deante ter uma visita da filha todas as semanas. Era um sacrificio para elle, homem tão occupado, ir alli a miude. Assim dividiriam o trabalho.
A sua Gloriazinha iria jantar com elle todos os sabbados, que era o seu dia mais livre.
A sogra parecia aterrada.