Argemiro abotoou o collete de fustão e prometteu ao homenzinho que faria tudo por elle, mas que se fosse embora!...
O outro atropellou as ultimas perguntas e marcou nova entrevista.
Atravez a meia parede de tabique ouvia-se na sala proxima o frou-frou das sedas abafadas em lãs e um sussurro de vozes femininas. Logo, a Pedrosa não viera só... Argemiro não a via desde a noite em que fôra cumprimentar o marido pela sua nomeação. Que a traria alli?
O aroma do Bouton d'or introduzia-se pelas frinchas das portas, invadindo tudo, soberanamente.
Argemiro considerou aquelle aroma como muito indiscreto, mas gostou.
A Pedrosa afinal... Ora, com que então estava no seu escriptorio a mulher do Ministro!... elle ageitou o nó da gravata e foi recebel-a á porta. Ella entrou logo, com o olhar reprehensivo, o busto impertigado e um sorriso amigo na bocca descorada. Atrás d'ella vinha a filha, muito espigada, mais alta do que a mãe, com um arzinho petulante no rosto claro, de feições miudas.
—Seu mau! então é preciso que a gente o venha ver aqui?!
—Oh, minha senhora...
—Não se desculpe, nem me agradeça a visita.
D'ahi rompeu a fallar, queixando-se de não ter o marido um minuto de descanço que lhe permittisse tratar dos seus negocios particulares, vendo-se ella na contingencia de intervir, como fazia agora, a contragosto... Ia consultar o advogado e o amigo...