Argemiro agradeceu.

Emquanto a Pedrosa remexia na sua bolsinha de camurça, procurando um documento qualquer, o advogado olhou para a Sinhá, que não desviava o olhar de cima d'elle, numa expressão perturbadora, de mulher amorosa.

—Diabo! pensou elle comsigo.

A consulta representava um pretexto. O negocio dispensaria a intervenção do advogado; todavia, a Pedrosa parecia não se importar de passar por estupida: repetia as perguntas com uma difficuldade de comprehensão que dava tempo á filha de espichar a alma pelos olhos fóra.

Mas o coração do viuvo parecia fechado a sete chaves e duro como uma pedra. Sinhá levantou-se, deu um giro pelo escriptorio, riu, fallou, interrompeu a mãe e sentou-se depois mais perto do Argemiro, deixando-lhe cahir de encontro a um joelho, por descuido, a sua linda sombrinha de seda e rendas brancas.

Como o assumpto da consulta já não désse de si, a Pedrosa embarafustou por outras portas: as ultimas récitas do Lyrico, o jantar do Presidente, o casamento do Angelo Barros... aquelle Angelo que dizia ter feito tambem o juramento de ficar solteirão!

E a proposito a Pedrosa perguntou ao Argemiro quando teria de assistir ao seu...

—Eu já me casei, minha senhora...

—Sabemos; mas ser viuvo é como ser solteiro...

—Estou velho...