—Deixa-a lá.

—Minha pobre filha, exclamou a baroneza olhando para o céu; não sei como hei de defender-te sózinha!

E os olhos encheram-se-lhe de pranto.

—Lagrimas, ahi temos lagrimas! Mas, querida, repara que a nossa Gloria não offendeu em nada a memoria da mãe e lembra-te tambem de que, se fôr verdade o que pensas, o Argemiro é rapaz, não póde guardar a castidade de uma menina... Que mais queres?

Amou a nossa filha, fêl-a feliz durante a vida e isso basta para lhe sermos muitissimo gratos.

—Que favor!

—Se ella vivesse, estou certo de que elle lhe seria fiel... mas d'ella já não resta senão a memoria. Os homens são vários, não exijas d'elles virtudes que não podem ter... Almas immaculadas só as das mães.

—Para mim, Maria existe, sinto-a tão viva na minha saudade, que trahil-a me parece uma profanação!

—Exactamente, porque és mãe.

—Não achas tambem indigno que elle dê as joias da mulher a uma rapariga de maus costumes e que metteu em casa, precisamente na casa onde viveu a outra e que está ainda toda cheia d'ella?