—Isto não a cança, dizia entre si. Trabalha a dormir!
Principiou depois a fazer experiencias, e a fallar-lhe durante o somno, interrogando-a a respeito do tempo, das coisas da casa, dos acontecimentos politicos do paiz; e era um instante em quanto caía o veu a todas as intenções, conferencias, e mysterios. Cupertino não cabia em si de contente. De uma occasião dirigiu-lhe com voz tremula a seguinte pergunta:[{188}]
—Ó menina, em que numero sae d'esta vez a sorte grande?
Ella disse-lhe um numero. No dia seguinte—comprou o bilhete e sairam-lhe oito contos. Ganhava o que queria; não tinha mais do que perguntar-lhe qualquer coisa pela noite adiante; estava feliz.
De repente, porém, appareceu carrancudo, turbido, umbroso.... Constara-lhe que a mulher andava, como se lá diz, de cabeça no ar. Á noite perguntou-lhe—quando ella estava a dormir, já se vê:
—É verdade que tu andas de cabeça no ar?
—Ando.
—Por causa de quem?
—Do primo José Maria.[{189}]
—É possivel! E porque é isso?