E os dois irmãos separaram-se, rindo.

A ambos dominou por muito tempo a imagem de Bertha.

Jorge passou uma noite febril. Tentava desfavorecer Bertha, quanto podia, no proprio conceito, esforçando-se por convencer-se de tudo quanto a respeito d'ella dissera ao irmão, para diminuir assim a impressão, que, a seu pesar, conservava ainda da imagem da rapariga.

Mauricio dera-lhe a entender que Bertha fôra sensivel ao seu galanteio, e esta ideia torturava o espirito de Jorge.

Pela sua parte, Mauricio tanto lidou com a supposição de que a vigilia de Bertha lhe fôra consagrada, que adormeceu firmemente convencido disso e sonhou… sonhou… Oh! quem póde exprimir o longo romance dos sonhos de um rapaz aos vinte annos e quando possue uma imaginação como a de Mauricio!

X

Bertha acordou firme no proposito que formára na vespera, de aceitar com coragem de mulher as suas novas condições de vida, e de entregar-se de alma e vontade ao cumprimento dos deveres domesticos, soffreando para isso a indocil imaginação de rapariga.

Mauricio, pelo contrario, estreiou os seus pensamentos d'aquelle dia, avivando tudo quanto pudesse fazer-lhe lembrar de Bertha, e formando a resolução de vêl-a e de fallar-lhe.

Jorge levantou-se cêdo, um tanto fatigado pelo inquieto somno d'aquella noite, e procurou distrahir-se, estudando uma questão agronomica, em que meditava havia muitos dias.

Veremos o que as diversas disposições de animo d'estes tres personagens deram de si no decurso do dia.