—Eu que dizia?—exclamou Jorge, rindo triumphantemente, mas como se aquelle rir lhe fizesse mal.

—Pois bem; se adivinhaste, tanto melhor—disse Mauricio, despeitado.

—Tanto melhor?!

—Sim. Porque não hei de eu vêr, n'este proposito de acompanhar a nossa vigilia, uma prova de sympathia pelo companheiro de infancia que hoje tornou a vêr?

—Ah! ah! Pensas n'isso?

—Porque não? Olha, Jorge, a mulher sem as fraquezas do coração proprias do sexo não é uma mulher perfeita. Eu, se visse anjos cá por este mundo, anjos puros, correctos, impeccaveis; tirava-lhes reverente o chapéo, benzia-me diante d'elles, rezava-lhes uma oração, mas afianço-te que não os amava.

—Boa noite, Mauricio. Olha que são duas horas.

—Adeus, Jorge.

—Não sonhes com Bertha.

—Não sonhes tu com a arithmetica, que é peior pesadêlo.