—Pobre pequena! Alli, só, n'esta aldeia. Está scismando em como poderão ter realidade as vagas aspirações do seu coração.

Jorge sorriu, e acrescentou com sarcasmo:

—Ou de que maneira ha de corresponder-se com algum Romeu collegial, que deixou suspirando em Lisboa.

—Estás insupportavel, Jorge.

—Uma experiencia!—exclamou, passados alguns momentos de silencio, Jorge, voltando á janella, onde permanecia ainda Mauricio.—Tu estás dando tractos á imaginação para adivinhares qual será o pensamento de Bertha. Eu aventuro uma supposição. Assim como nós vimos aquella luz, ella vê esta, e talvez a nossa sombra na janella. É natural que supponha que para alli dirigimos as vistas, e muito provavel que adivinhe que fallamos d'ella. Sabendo-se observada, não ousa apagar a luz, por querer mostrar que tambem prolonga as suas rêveries por noite alta.

—Ora! deixa-me com as tuas observações!

—Queres verificar? Apaguemos a luz e veremos o resultado.

Mauricio condescendeu.

A unica janella alumiada da Casa Mourisca envolveu-se nas trevas da noite.

Como o leitor já sabe, Bertha, por um motivo differente do insinuado por
Jorge, apagou tambem pouco depois a luz do seu quarto.