—A poesia!—repetiu Bertha, com um forçado gesto de desdem, encolhendo os hombros.

Mauricio percebeu-o.

—Ri-se?—interrogou elle.

—É que ouço fallar ha tanto n'isso, e se quer que lhe falle a verdade, ainda não pude saber bem o que seja.

—Não sabe o que é a poesia?!

—A que se escreve nos livros sei, mas fóra d'ahi…—disse Bertha, simulando um tom de completa ingenuidade.

A chegada das crianças, pedindo á irmã que as conduzisse a casa, interrompeu n'este ponto o dialogo. Bertha despediu-se amigavelmente de Mauricio, que por muito tempo a seguiu com a vista.

—Será possivel que eu me engane?—pensava elle.—Será a final de contas uma mulher vulgar, capaz de continuar as prosaicas tradições da familia? Não creio. Antes é astuciosa e dissimulada. N'esta apparente singeleza de gostos ha muito espirito escondido. E, ou eu me engano muito, ou não é indifferença o que ella sente, quando me falla.

E sahiu d'alli, trabalhando n'estes pensamentos.

Bertha, rindo e brincando com os irmãos, pensava tambem: