—Pelo que vejo temos os do Cruzeiro fazendo das suas?

—Pois quem senão elles? Essa sucia de libertinos, de…

—Olha que está alli um primo d'elles, Clemente—admoestou a mãe, sorrindo.

Clemente reparou pela primeira vez em Mauricio.

—Ah! desculpe, snr. Mauricio, que ainda agora o vejo. Mas isto é assim. Aquelles senhores cuidam… Eu sei lá o que elles cuidam? Cuidam talvez que isto hoje é como d'antes, e que elles hão fazer a sua vontade…

—Mas a final de que se tracta?—inquiriu Mauricio.

—D'esta vez deram-lhe para metter em casa um refractario do serviço militar, contra quem ha um mandado de captura, e com o maior descaramento o declaram por ahi. Temos outra como quando esconderam em casa o assassino do reitor de Fieiras, e lhe deram escapula para o Brazil. Mas eu não quero saber, a lei lá está que diz bem claro o que deve fazer-se, e o snr. administrador não é para graças.

—Fia-te n'elle! Olh'agora!—atalhou a mãe—É fresco! Vendo-te mettido em talas, só se não puder deitar a mão á caravelha para te atenazar inda mais. Não te lembras do que elle fez quando foi da prisão do morgado dos Codeços, por causa das pancadas na feira? Ora bem me fio eu n'elle! Todo collaço com o Lourenço do Cruzeiro, e companheiro de sucias d'elles todos. Sabes que mais, meu filho? deixa-os lá e não te consumas com isso. Olh'agora!

Estas eram as maximas que o scepticismo inspirava já a Anna do Védor.

Clemente encolheu os hombros.