—Ás suas ordens, snr. regedor.
—Snr. regedor, sim! e honro-me d'isso muito. E emquanto fôr regedor, hão de me respeitar como tal. Já disse. O seu tempo já lá vae, snr. abbade, e hoje a justiça quando tem de entrar em uma casa, não repara no brazão que está á porta… ou não deve reparar. Ninguem tem direito de não respeitar a lei, e eu prometto-lhes, que já que assim o querem…
—Bem, bem—acudiu Mauricio, que receiou que a scena se tornasse mais azeda—não prosigamos n'esta contenda. Venham vocês d'ahi, que temos que conversar. Clemente, socega, que tudo se ha de arranjar. Adeus, Anna.
—Vamos lá, vamos lá—concordaram os dois primos, empunhando outra vez as espingardas—deixemos o snr. regedor que está hoje muito zangado.
E ao atravessarem o quinteiro o doutor e o abbade abraçaram, cada um por sua vez, uma das moças de Anna do Védor, que voltava da fonte com o cantaro de agua.
—Olá, olá, fidalguinhos!—bradou da porta da cozinha a patroa—já disse que isto aqui não é terras do Cruzeiro. Olhem se querem que eu os enxote como a rapozas do gallinheiro?
E quando a criada chegou ao pé d'ella, disse-lhes com aspereza:
—Tu não sabias chimpar-lhes o cantaro pela cabeça abaixo, minha maluca?
Sempre vocês não sei para que querem a esperteza.
Os rapazes retiraram-se rindo.
Anna voltou a ouvir e a mitigar as queixas do filho.