—Ó Chico, olha que o Mauricio não está bom. Estes golpes repentinos…

—Qual! Se eu não acredito uma unica palavra do que vocês estão para ahi a dizer—tornou-lhe Mauricio, erguendo-se e passeiando na sala agitado.

—Não que a cousa é muito para se não crer—disse o doutor, principiando a vestir-se—uma rapariga de dezoito annos, que vem do collegio, ter um apaixonado?… Sim, o caso é tão raro!

—Vocês não conhecem Bertha.

—Tu, sim, que a conheces. Papalvo de olhinhos fechados que ainda anda a sonhar por este mundo com princezas encantadas—observou o padre, tirando de entre a roupa da cama um volume de Paulo de Koch, com que adormecêra na vespera.

—Então lá por que um homem sahe de noite de casa do Thomé, já não póde ser senão por amor de Bertha. É boa!—insistia Mauricio, contra a sua propria convicção.

—Sim, meu menino, sim; isso tudo e o mais que tu quizeres—respondeu-lhe o padre, apertando outro cigarro.

—Veremos o que tu pensas, assim que vires o tal homem—tornou o doutor.

—Ora mas digam-me: Pois não ha tanta gente em casa?

—Pois ha, ha.