O fidalgo calou-se e não tirou os olhos do portão da quinta, da qual se ia avisinhando. Passados alguns instantes respondeu á observação do procurador, dizendo:

—Dentro de alguns annos mais póde comprar barato o da Casa Mourisca. Os meus filhos não serão exigentes no preço.

O padre não soube bem o que devia dizer n'este caso. Limitou-se por isso a expellir um simples «Oh!» sem entonação que o definisse.

Chegaram emfim ao portão. D. Luiz ordenou ao padre que tocasse a sineta.

Este ia a fazêl-o, quando se voltou dizendo:

—Anda gente cá dentro.

D. Luiz não foi superior a certo sobresalto ao ouvir a noticia; vencendo-se, porém, caminhou resoluto e com a fronte contrahida para diante. De repente estremeceu, parou, e comprimindo o peito como se fora ferido alli, murmurou:

—Ó Sancto Deus!

—Que tem v. exc.ª?—interrogou inquieto o padre, que reparára no gesto de D. Luiz—Foi pontada?! Estes passeios violentos e fóra d'horas…

O fidalgo não respondeu e continuou com os olhos fitos em não sei que ponto do interior da quinta.