Frei Januario desviou para alli a vista, a fim de elucidar-se na explicação do mysterio.

Chegava n'este momento ao portão uma rapariga, singelamente vestida de branco, que correu ao encontro d'elles.

Era Bertha.

—O meu padrinho!—exclamava ella dirigindo-se ao fidalgo—O snr. D.
Luiz! Até que emfim o vejo! Julguei que não chegava este dia!

E pegando-lhe na mão, beijou-a com respeito e affecto.

E D. Luiz não lh'a retirou, nem teve uma palavra que lhe dissesse.
Continuava a olhal-a, como esquecido de tudo e profundamente perturbado.

O padre observava a scena boquiaberto.

—Ha que tempos o não via!—proseguiu Bertha com uma carinhosa volubilidade de criança—Pois tinha bem saudades! Quantas vezes olhava para aquellas janellas, a vêr se por acaso o descobria em alguma? Mas nunca, nunca! Que vontade que tinha de lá ir, mas… Disseram-nae que o padrinho nunca sahia, e que vivia quasi sempre só no seu quarto. Para que é que vive assim? Isso faz-lhe mal. Mas… que tem, snr. D. Luiz? Meu Deus… está a chorar!

O padre deu um passo á frente, como duvidando do que ouvira.

D. Luiz afastou-o com a mão.