—Parece-me que será bastante garantia—acrescentou D. Luiz.—Se eu não sou victima de uma perseguição do céo, espero resgatal-as ainda. Senão… Adeus, Bertha.
—Mas—pôde emfim dizer a filha de Thomé, sahindo da sua abstracção—isto não póde ser! Eu… nem sei o que estou fazendo. Por quem é, padrinho, meu pae não póde querer….
—Não te pertence julgar d'estes negocios, Bertha. Faze o que te digo.
—Deixar a Casa Mourisca! a casa em que tem vivido sempre, onde nasceu e morreu Beatriz! E porque?… Que somos nós para si então, padrinho?
O fidalgo tornou-se de novo sombrio ao responder:
—Bertha, quando a minha consciencia me impõe um acto na vida, é inutil tentar demover-me.
—A consciencia!—repetiu Bertha, timidamente, como exprimindo uma duvida.
—Se queres tambem chamar a isto um preconceito de classe, como já lhe chamou um de meus filhos, chama-lh'o embora. Em todo o caso obedeço-lhe e de obedecer-lhe me orgulho.
E o fidalgo ia para retirar-se, quando Bertha lhe disse, hesitando:
—E não me consente que lhe beije outra vez a mão?