—E posso proporcionar-lhe algum allivio, meu tio?—perguntou Gabriella, conduzindo-o para um sofá, onde se sentou ao lado d'elle, olhando-o com ar de interrogação e de interesse.
—Gabriella, a sorte de minha familia está jogada. É uma família perdida—rompeu vehementemente o fidalgo.
—Não diga isso, tio Luiz.
—Digo-o e sinto-o—continuou elle mais exaltado.—Quando uma casa como a nossa, que não póde já conservar o antigo esplendor e o estado que em melhores tempos sustentou, não sabe de mais a mais manter o prestigio que teve por as praticas tradicionaes de nobreza, por acções de fidalguia, emfim por estes actos de superioridade que fazem dobrar a cabeça aos mais insolentes e intimidar a vista dos invejosos, quando uma casa chegue a um tal estado de decadencia, nenhum apoio solido tem a sustental-a e em pouco tempo cahirá em ruina total. A minha está perdida!
—Seus filhos…
D. Luiz estremeceu de irritação a estas palavras.
—Meus filhos! Que me quer dizer d'elles? D'elles me queixo eu. Jorge fez-me córar pela pouca dignidade dos seus sentimentos; Mauricio pela vileza dos seus actos.
—Mauricio?! Sancto Deus! Pois que succedeu mais?
D. Luiz, ainda tremulo de indignação, contou á baroneza a scena da vespera. A cólera do velho contra o filho era violenta e contrastava com a brandura e quasi respeito que o dominava ao fallar de Bertha.
A baroneza ia notando estes phenomenos todos.