D'ahi a pouco referiu ao padre a noticia que tinha lido do desastre succedido a uma diligencia ao passar em uma ponte que na occasião abatêra, resultando muitas victimas.

A indignação do padre exaltou-se.

—Pois se esta gente que nos governa deixa as estradas e pontes em um abandono d'esses! Vejam que tempos os nossos! e que governos que não se importam com as vidas dos cidadãos! Em que paiz do mundo se vêem estradas assim arruinadas como as nossas? São os bens que nos trouxeram os homens da Carta! Isto é bonito!

E o padre Januario continuou ainda por algum tempo a condemnar, pelo crime de desleixo e de falta de protecção á viação publica, os mesmos governos que, momentos antes, accusára de conceder para esse fim subsidios e de lhe dar importancia demasiada.

A politica de frei Januario é vulgar na nossa terra.

D. Luiz, tendo concluido a leitura da folha, pôl-a de lado e resumiu a serie de pensamentos que essa leitura lhe suggerira, na seguinte e contrahida synthese:

—Isto vae cada vez melhor, frei Januario.

—Isto vae bonito, não tem duvida nenhuma—secundou o padre.

—O peior é o futuro—tornou o fidalgo, assombrado.

—Ai, o futuro ha de ser fresco!—repetiu o procurador, fungando uma pitada.