—A mim?!

—É verdade. Veja que feliz acaso o que me fez subir a esta capella, para gozar do panoramma que se descobre d'aqui.

—É um dos passeios mais bonitos d'estes sitios.

—Pelo que vejo costuma fazer d'aqui a sua casa de lavor?

—Ai, não; raras vezes; hoje vim para esperar meu pae, que chega do
Porto. D'aqui avista-se quasi meia legua de estrada. Vê?

—Ai, volta hoje o pae? Visto isso tambem o meu primo Jorge.

—Tambem… julgo que tambem.

Bertha não foi superior a uma leve turbação, ao ouvir o nome de Jorge e ao responder á baroneza. Quem tem no coração um segredo que de todos quer recatar, trahe-o muitas vezes, á força de disfarçal-o. Em cada olhar suspeita uma espionagem, em cada palavra uma allusão, e se a conversa se aproxima do assumpto, segue-a tremulo, como se segue o caminho que se abeira de um precipicio.

A baroneza, que tinha ainda os olhos fitos em Bertha com a curiosidade propria de uma mulher ao observar outra que sabe causar impressão nos animos masculinos, notou aquelle indicio de confusão, e não o desprezou.

—É um generoso rapaz o meu primo Jorge, não acha?—interrogou ella, demorando o olhar no rosto de Bertha.