—Ora deixa-te de tolices. Se por acaso estivesse tão occupado que me não fosse possivel receber-te, com a maior franqueza t'o diria. Bem sabes que entre nós não ha etiquetas.
—Pois eu vinha para pedir-lhe um favor.
—Terei muito prazer em te servir—respondeu Jorge, levantando-se para procurar novos papeis na secretaria e voltando a sentar-se á banca, sempre entretido no seu trabalho.
—Como sabe, pedi a minha demissão e estou agora resolvido a viver em minha casa, e a occupar-me sómente dos meus negocios.
—É justo. E quem bem trabalha no que é seu, tambem trabalha no que é de todos—ponderou Jorge emquanto executava uns calculos arithmeticos.
—Ora, para fazer a vontade a minha mãe e tambem por me sentir com inclinação para isso, estou meio decidido a…
—A casar-te, hein?—concluiu Jorge, sem manifestar surpreza, e notavelmente embebido na execução dos seus calculos.
—Justamente.
—É uma boa resolução. Os homens como tu dão excellentes chefes de familia. Podes fazer a tua felicidade e a da mulher com quem casares.
—Isso são favores seus, snr. Jorge.