Aquella grande sala vazia, aquella extensa mesa, apenas servida com quatro talheres, fallava tanto do esplendor passado e da decadencia presente, que poucos logares havia na casa que deixassem no fidalgo mais melancolicas impressões. Nunca se lhe anuviava tanto o coração como ao sentar-se á cabeceira da mesa, em torno da qual outr'ora vira rostos conhecidos e amigos, hoje tão solitaria e abandonada.
D. Luiz, reparando que o escudeiro principiava a servir, perguntou, apontando para os logares dos filhos, que ainda estavam de vago.
—Então os senhores não ouviram a sineta?
—Os senhores ainda não vieram.
—Nem Jorge?—perguntou D. Luiz, como se estranhasse menos a ausencia de
Mauricio.
—Nem um, nem outro.
—O snr. D. Mauricio—observou o padre, que temia um adiamento do jantar—sahiu para a caça; quando virá elle agora?
E dizendo isto, fazia signal ao criado para que servisse o fidalgo.
—E Jorge?—insistiu o pae.
—O snr. D. Jorge… esse não sei… talvez esteja ahi por alguma parte.