O fidalgo, evidentemente contrariado com a ausencia dos filhos, que ainda mais augmentava a solidão d'aquella sala, resignou-se a principiar a jantar sem elles.

O jantar correu em silencio.

O humor negro de um dos commensaes e o appetite do outro não davam azo ao dialogo.

Estava o padre deliciando-se com uma farta posta de assado e o competente accessorio de massas, quando Jorge entrou na sala.

D. Luiz não lhe dirigiu a palavra, nem sequer um olhar.

Jorge formulou uma vaga desculpa, que o pae interrompeu com um gesto a mandal-o sentar; e, passados momentos, levantou-se elle e sahiu silencioso.

Frei Januario, tendo já satisfeito as primeiras e mais urgentes exigencias do seu estomago, achou-se disposto a continuar o dialogo. Por isso, ao encetar a sobremesa, dirigiu por comprazer a palavra a Jorge:

—Com que vem do seu passeio, hein? A manhã estava bem bonita. E então o que viu por esses campos?

—Muito trabalho, snr. frei Januario, muita vida rural—respondeu Jorge.

—Sim, agora é o tempo das colheitas. Anda por ahi tudo azafamado.