—Hum! É o que eu digo. Se está á espera de que os advogados lhe escrevam, bem tem que esperar. Aquelles senhores, sahindo do escriptorio, não pensam mais nas demandas nem nos clientes. Olha quem. Eu cá entendo-me com os procuradores e não me dou peior. Ora leia.

E passou para as mãos de Jorge uma carta, na qual de facto o procurador lhe dava lisonjeiras informações relativamente ao pleito que a Casa Mourisca sustentava. A questão tomára uma face nova, depois da juncção ao processo de certos documentos de importancia, e o parecer dos juizes era favoravel, segundo o que podia conjecturar o procurador, forte n'estes prognosticos.

A noticia não podia ser indifferente a Jorge. A boa solução d'esta demanda facilitaria consideravelmente os seus projectos economicos; e poderia depois tentar mais desembaraçado e com mais efficacia os expedientes que a sua meditação e a experiencia de Thomé lhe suggeriam.

—Então que diz a isso?—interrogou o fazendeiro.

—É devéras uma feliz nova.

—Diga-me agora se ha de ou não vir tempo em que aquella casa negra tornará a ser o que foi.

—Espero que Deus me conceda essa ventura.

—Agora é necessário escrever para Lisboa para apressar o negocio, e com relação áquelles titulos, que parece não estarem muito na ordem, recommendo-lhe este procurador, que é homem diligente e seguro.

—Era já minha tenção fallar-lhe n'elle. Deixemos porém agora esta materia, porque outro grave motivo me trouxe aqui e tenho pressa de me desempenhar da missão.

—Olá! Motivo grave! Pelo modo de dizer parece que se tracta de coisa de polpa.